Revisão 2017 da Norma ABNT NBR 10.821-2 para Fixadores para Esquadrias de Alumínio

Revisão 2017 da Norma ABNT NBR 10.821-2 para Fixadores para Esquadrias de Alumínio

Revisão 2017 da Norma ABNT NBR 10.821-2 para Fixadores para Esquadrias de Alumínio

Fixadores de aço carbono revestido em alternativa ao aço inox

Por Marcelo Gomes

Para os fabricantes de esquadrias de alumínio e para seus fornecedores de fixadores, tenho uma grande novidade.

As especificações para os fixadores foram alteradas em relação aos materiais e revestimentos aceitos para este segmento com a revisão 2017 da norma NBR 10.821-2 e com a suspensão do Fundamento PSQ do Ministério das Cidades.

Até 2016 tínhamos 2 especificações, sendo elas :

1 – Para obras privadas – seguindo a NBR 10.821-2, onde especificava apenas que “OS CONTATOS BIMETÁLICOS DEVEM SER EVITADOS“, e dava como exemplo fixadores de aço inoxidável. A norma tinha um texto que causava muitas dúvidas para sua interpretação. O texto citava que “os contatos bimetálicos devem ser evitados” e dava como exemplo a utilização de fixadores em aço inoxidável, porém muitas pessoas interpretavam que era uma obrigatoriedade a utilização desses fixadores em aço inoxidável. A norma não mencionava fixadores de outros materiais, como por exemplo fixadores em aço carbono revestido contra a corrosão, e muito menos especificava algum ensaio de corrosão acelerada como o salt spray.

A partir de 2017, a NBR 10.821 foi revisada, estabelecendo novos critérios de materiais, e estipulando 240h de salt spray (ensaio dos fixadores montados na esquadria de alumínio ou em perfil de alumínio – ver norma EM 1670) para fixadores de outros materiais que não seja aço inox, com ou sem revestimento.

NBR 10.821-2 ANTIGA (2011)

NBR 10.821-2 NOVA (2017)

2 – Para obras públicas ligadas ao Ministério das Cidades – seguindo o Fundamento do PSQ (Programa Setorial de Qualidade) do PBQP (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade) – onde apesar de mencionar como referência o item 4.1.2 da norma NBR 18.821-2 : 2011, exigia fixadores de aço inoxidável. A NBR 10.821-2:2011 NÃO exigia fixador em aço inoxidável, apenas o mencionava como exemplo.

Fundamento PSQ – Ministério das Cidades

Atualmente o Fundamento do Ministério das Cidades do PSQ de esquadrias de alumínio para fixadores utilizam como base de especificação a ABNT NBR 10.821 : 2017.

OS FIXADORES

De acordo com a NBR 10.821-2:2017, é permitido a utilização de fixadores em aço inoxidável austenítico ou outros materiais, com ou sem revestimento, que devem atender ao desempenho da classe 4 , conforme a norma BS EM 1670:2007, quando submetida a 240h em câmara de névoa salina neutra (salt spray) conforme ABNT NBR 8094.

Ou seja, agora temos um valor especificado para ensaios de salt spray – 240h sem corrosão vermelha conforme a EN 1670 : 2007.

Porém devemos prestar a atenção para o item 6 da norma BS EM 1670:2007.

Os fixadores devem ser testados em salt spray montados nas esquadrias de alumínio ou quando não for possível devido ao tamanho, testados em perfis de alumínio que representem o modelo de fornecimento.

Este “detalhe” é importantíssimo. Como as esquadrias de alumínio formam uma pilha galvânica (ver artigo sobre corrosão bimetálica) com alguns metais, como o zinco, por exemplo, que é o principal componente dos principais revestimentos utilizados no mercado, como zinco eletrolítico, zinco ligas e zinco lamelar (organometálicos), temos que nos certificarmos de que o ensaio de salt spray foi realizado com o fixador em contato com o alumínio.

Um fixador com revestimento a base de zinco ensaiado em câmara de névoa salina neutra que apresenta resistência a corrosão de 240h sem aparecimento de corrosão vermelha, quando ensaiado em contato com o alumínio, deve apresentar aproximadamente 1/3 desta resistência.

Portanto, exija de seus fornecedores laudos de ensaios de salt spray dos fixadores montados em esquadrias ou perfis de alumínio.

Como atender a especificação NBR 10.821-2:2017 com fixadores de aço carbono revestidos, para diminuir o custo da utilização de fixadores de aço inoxidável ?

Revestimentos convencionais de mercado como zinco eletrolítico branco/azul, bricromatizado, etc., com camadas entre 5 a 12 micrômetros não atendem a especificação da NBR 10.821-2:2017, mesmo com selantes.

É necessária a utilização de revestimentos mais nobres, como zinco ferro, zinco níquel e organometálicos, todos com espessura de camada alta, entre 8 e 12 micrômetros, e com a aplicação de selantes. O revestimento Xylan da Whitford também atende a especificação.

Atualmente uma das melhores alternativas do mercado em relação ao custo x benefício, é a utilização do processo Ciser, que utiliza os revestimentos convencionais de mercado, como zinco branco trivalente ou organometálico, com um selante de nanotecnologia (Nanomate).

Com a aplicação do selante Nanomate, fixadores com revestimento base de zinco branco trivalente, por exemplo, atingem mais de 2.000h de resistência a corrosão em salt spray neutro quando ensaiados conforme a norma ASTM B-117 e conforme ensaio realizado em laboratório externo creditado pelo INMETRO, os fixadores Ciser com aplicação de selante Nanomate montados em perfil de alumínio, atingiram 840h de resistência, desta forma atendendo a especificação da NBR 10.821-2:2017 com folga, dando ao cliente uma boa reserva de qualidade, com um custo muito competitivo.

Temos também que lembrar que mesmo um revestimento atendendo a especificação, por segurança, em algumas obras, se faz mesmo necessário à utilização dos fixadores de aço inoxidável ou de um revestimento mais nobre, como fixadores com revestimento com camadas maiores que o convencional com aplicação de selantes ou Fluoro polímero.

Isto porque nem sempre o salt spray é a melhor referência para ensaios de corrosão quando o ambiente onde a obra será realizada possui uma alta agressividade atmosférica.

O FUTURO PRÓXIMO

De acordo com a ABNT, AFEAL e SIANMFESP, está sendo redigida uma nova norma NBR para os fixadores, para ser incluída como referência na NBR 10.821-2 em 2018/2019.

Esta nova norma; da qual eu faço parte do grupo de estudo, deve apresentar especificações de resistência à corrosão para fixadores para esquadrias, guarda-corpos e fachadas e irá substituir a especificação contida no item 4.4.1.1 da NBR 10.821-2:2017.

A intenção é ter uma norma específica para fixadores para este mercado, estabelecendo tipos de materiais, revestimentos, resistência à corrosão, etc. A nova norma também incluirá itens informativos, como tipos de cabeças de fixadores mais utilizados e ferramentas adequadas para a montagem.

Quando esta nova norma for publicada, a resistência à corrosão para fixadores de aço carbono revestidos para esquadrias de alumínio irá aumentar, provavelmente passando das atuais 240h, para 480h de resistência à corrosão, nas mesmas condições de ensaio de corrosão acelerado atual (montados em esquadrias ou perfis de alumínio).

A substituição de fixadores de aço inoxidável por aço carbono revestido pode trazer uma grande economia para as construtoras e movimentar o mercado dos aplicadores de revestimento, porém devemos ficar atentos à qualidade dos revestimentos oferecidos no mercado. Procure sempre fornecedores que ofereçam assistência técnica, laudos de ensaios em laboratórios creditados pelo INMETRO, especialistas em revestimentos, etc.

Portanto, prepare-se para utilizar revestimentos de alta qualidade desde já.

PARTICIPE DAS REVISÕES DAS NORMAS ABNT

Seguindo as boas práticas internacionais de atualização de Normas Técnicas, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) revisita o conteúdo de suas Normas Brasileiras a cada cinco anos da sua publicação, ou última confirmação. Este processo é denominado Análise Sistemática.

Por meio deste processo de Análise Sistemática, o grupo de Normas Brasileiras que se encaixam nos requisitos acima é submetido à análise pelos Comitês Técnicos e suas respectivas Comissões de Estudo.

Esta análise verifica se o conteúdo técnico da Norma Brasileira se mantém atual e se esta pode ser confirmada. Em caso afirmativo, a confirmação ocorre de forma imediata.

Se o Comitê Técnico decidir que a norma necessita de revisão, ela é incluída no programa de normalização setorial do Comitê Técnico e trabalhada no ano corrente.

Se o conteúdo da Norma Brasileira não for mais aplicável ao setor, o Comitê Técnico solicita o seu cancelamento. Neste caso, uma proposta de cancelamento é disponibilizada no site da Consulta Nacional (www.abnt.org.br/consultanacional) pelo período de 30 dias, para que toda a sociedade possa se manifestar se concorda com o cancelamento da norma.

Em 2017 serão analisadas as normas que foram publicadas ou confirmadas em 2012.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail gprsp@abnt.org.br ou pelo telefone (11) 3017.3673.

Marcelo Gomes é Consultor Técnico de Revestimentos da empresa Ciser Parafusos e Porcas

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